10 coisas que você deve saber sobre...



O que é Mitologia?
Mitologia é uma disciplina que se ocupa do estudo e da interpretação do mito, mas o termo “mitologia” indica, também, o conjunto de mitos que constituem o patrimônio de uma determinada cultura. Assim é que podemos falar de mitologia grega, mitologia romana, mitologia egípcia, mitologia persa, mitologia asteca, quando nos referimos ao conjunto de mitos dessas culturas..

O que é mito?
Mito – do grego mithos que significa discurso ou palavra - é uma narrativa de caráter poético que recorre aos deuses e heróis para a descrição do real. Através do mito um povo explica aspectos essenciais da realidade em que vive: a origem do mundo, o funcionamento da natureza e dos processos naturais, as origens do povo, os valores básicos. Tudo que acontece aos homens é governado por uma realidade exterior ao mundo humano e natural, superior, misteriosa, à qual só os sacerdotes, os magos, os iniciados, são capazes de interpretar, ainda que apenas parcialmente.

Como nascem os mitos?
O mito nasce da exigência profunda - natural a todos os seres humanos – de responder às grandes indagações sobre as origens do universo e da humanidade, sobre a natureza (origem dos astros, das estações,da luz e escuridão, dos ventos e tempestades), sobre a vida, a morte, a dor, o destino, os sentimentos, etc. Sem contar com instrumentos científicos e concepções filosóficas, os homens da antiguidade procuravam explicar o porquê das coisas com narrativas ricas de imagens e de implicações simbólicas. Recorriam a forças boas ou más, imortais e de poderes extraordinários, que assumiam a forma humana e tanto podiam causar desastres como promover o sucesso de indivíduos e de inteiras comunidades.

Qual a função do mito?
Os mitos foram, para os povos antigos, um meio de conhecimento do mundo e de transmissão de crenças, ideais e princípios éticos, assumindo, assim, uma função formativa ou “pedagógica”. Através dessas narrativas os povos transmitiam valores e normas de comportamento, importantes para a organização, a sobrevivência e a continuidade da comunidade. Ainda hoje, os mitos são capazes de nos fornecer uma grande quantidade de informações sobre as civilizações que os elaboraram: o tipo de meio ambiente em que viviam; o tipo de organização social; a economia, as crenças, a vida quotidiana e, sobretudo, a hierarquia de valores sobre as quais fundavam a própria existência (coragem, força física, beleza, hospitalidade, etc.)

Quem narra o mito?
Como tradição cultural e folclórica de um povo, as narrativas míticas não são produto de um autor ou autores específicos. De origem cronológica indeterminada, nascem como narrativas orais, transmitidas de geração a geração pelos encarregados de preservar os valores de um povo, geralmente sacerdotes ou, em alguns casos, artistas e poetas. Os ouvintes as recebem como verdadeiras porque confiam na autoridade daquele que narra, autoridade que vem do fato de que ele ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados. Somente em um segundo momento, quando, passando de um narrador a outro, já tinham sofrido transformações e perdido progressivamente o caráter sagrado, tais narrativas foram postas por escrito. Daí o fato não raro de encontrarmos versões de um mesmo mito, muitas vezes discordantes entre si.

O mito pode ser questionado?
O mito pressupõe adesão e aceitação. Não se justifica, não se fundamenta, e, portanto, não se presta ao questionamento, à crítica, à correção. Tem caráter global, ou seja, exclui outras perspectivas a partir das quais ele poderia ser discutido. Crê-se no mito, sem necessidade ou possibilidade de demonstração. Rejeitado ou questionado, o mito se converte em fábula ou ficção. A possibilidade de discussão do mito pressupõe um distanciamento em relação à visão de mundo e isso pressupõe já uma transformação da própria sociedade e do mito como forma reconhecida de se ver o mundo nessa sociedade.

Verdade ou mentira?
Há quem associe, erroneamente, o conceito de mito a mentira, ilusão e lenda. O mito não é uma mentira, pois é verdadeiro para quem vive. A “verdade” do mito não obedece à lógica nem da verdade empírica, nem da verdade científica. É verdade intuída, que não necessita de provas para ser aceita. É, portanto, uma intuição compreensiva da realidade, uma forma espontânea do homem situar-se no mundo. A narração de determinada história mítica é uma primeira atribuição de sentido ao mundo, sobre o qual a afetividade e a imaginação exercem grande papel.

Semelhanças temáticas
Apesar das diferenças locais, ligadas aos diversos ambientes e às condições de vida das antigas civilizações, etnólogos e antropólogos identificam muitas semelhanças entre os mitos elaborados por povos geográfica e culturalmente muito distantes entre si. Os temas mais recorrentes são os ligados às grandes questões existenciais (origem do universo e do homem), ao conceito de rebelião contra o poder (luta contra um tirano, assassinato do pai, etc.) ou a catástrofes naturais (dilúvio e semelhantes) que levam destruição da ordem, e, portanto, à transformação de uma civilização. Outras semelhanças dizem respeito aos protagonistas, geralmente deuses e heróis, à localização dos fatos em tempo remoto, indeterminado, à presença de imagens muito vívidas e expressivas e exemplos de evidência imediata.

O legado da mitologia grega
Algumas mitologias, por razões inerentes às migrações, às guerras e às conquistas dos povos, fundiram-se em parte ou totalmente com outras; algumas desapareceram com o passar dos séculos deixando apenas rastros; outras, com as mitologias dos egípcios, dos assírios, dos fenícios e dos persas, permaneceram fechadas no domínio filosófico da história das religiões. A mitologia grega é para nós infinitamente mais viva e interessante do que todas as outras porque seus elementos, perpetuados pelo gênio de um povo poeta, foram uma riquíssima fonte de poesia e uma verdadeira base da civilização ocidental. Uma variedade de deuses e semideuses, eternizados em figuras vivamente expressivas e simbólicas, participou da vida dos homens, foi agitada por paixões humanas, participou de aventuras trágicas e alegres. Nessa fonte se inspiraram a literatura e a arte figurativa da antiguidade clássica, do Renascimento e dos séculos sucessivos. Ainda hoje, pela riqueza e pelo caráter profundamente humano de seus símbolos, a mitologia a grega é um ponto de referimento cultural.

Principais divindades gregas e romanas
Os romanos receberam dos gregos grande parte dos seus deuses. Algumas divindades apresentam, com outros nomes, as mesmas características e atribuições das gregas. Em outros casos, apresentam pequenas adaptações. Mitos originalmente romanos são os relativos à fundação de Roma (Rômulo e Remo).
Os principais deuses gregos, e seus correspondentes romanos, são:
- Zeus/Júpiter --> Pai dos deuses e dos homens, principal deus do Olimpo.
- Cronos/Saturno --> Deus do tempo, pai de Zeus.
- Hera/Juno --> Rainha dos deuses, esposa de Zeus.
- Hefesto/Vulcano --> Deus do fogo e dos metais, patrono dos artesãos. Filho de Zeus e Hera.
- Poseidon/Netuno -->Senhor do oceano, irmão de Zeus.
- Hades/Dis/ Plutão -->Senhor do reino dos mortos, irmão de Zeus.
- Ares/Marte --> Deus da guerra, filho de Zeus e Hera.
- Apolo/Febo --> Deus do sol, da arte de atirar com o arco, da música e da profecia. Filho de Zeus e Latona.
- Artemis/Diana --> Deusa da caça e da lua, irmã de Apolo.
- Afrodite/Vênus --> Deus da beleza e do amor, nascida das espumas do mar.
- Eros/Cupido --> Deus do amor, filho de Vênus.
- Palas/Minerva--> Deusa da sabedoria, nascida da cabeça de Zeus.
- Hermes/Mercúrio-->Deus da destreza e da habilidade, cultuado pelos comerciantes. Filho e mensageiro de Zeus.
- Deméter/Ceres-->Deusa da agricultura, filha de Cronos e Ops.
